Ontem
eu sonhei o teu sonho.
Sonhei que os soldados,
cantando e dançando,
libertando-se de todo mal
surgiram de todos os lugares para velar o funeral
de todo arsenal das ogivas nucleares.
No sonho
os homens não eram escravos
Nem de si
nem dos outros
tampouco das cores.
Pois o dinheiro
havia sido morto
no combate com o amor.
As crianças,
cravo e canela,
dançavam com as flores
como não tinham fome
caçavam estrelas
quando cansadas,
tornavam-se nelas!
Sonhei
que as mulheres e os homens
não tinham coisas, mas sentimentos.
E, em sinal de alegria,
plantavam suas orações,
não de mãos espalmadas,
mas de braços dados
com o milagre do dia.
E Deus (todo pequeno gesto de amor)
não freqüentava igrejas,
livros ou estátuas
apenas corações.
Ontem
sonhei o teu sonho
sem saber que também era o meu.
Poema publicado pela COOPERIFA, no CD "Sarau da Cooperifa".
Há 5 anos, todas as quartas-feiras, "guerreiros e guerreiras de todos os lados e todas as quebradas (...) professores, metalúrgicos, donas de casa, taxistas, vigilantes, bancários, desempregados, aposentados, mecânicos, estudantes, jornalistas, advogados, exercem a sua cidadania por meio da poesia" no bar do Zé Batidão, na Chácara Santana.
Ainda nas palavras de Sérgio vaz, poeta da periferia, "O Sarau da Cooperifa é nosso quilombo cultural. A bússola que guia a nossa nau pela selva escura da mediocridade. Somos o grito de um povo que se recusa a andar de cabeça baixa e andar de joelhos."