Estrume

Lília Diniz

27/03/2007

O que aduba
meu pé de poesia
é o estrume do boi
marcado a fogo
que rumina versos
contra o opressor

É o bagaço da cana
moída no engenho de ferro
que traz no gosto da rapadura
o amargor de vigas
também moídas

São as toras dos babaçuais
estendidas ao chão
pelo machado da ganância
que devasta não apenas florestas
derruba Chicos, Josimos
Margaridas...

O que fez brotar e alimenta
meu pé de poesia
é a certeza que esses
versos em flor
romperão cercas
fecundarão roçados
e saciarão barrigudas
famintas de
justiça
terra e
pão