O que aduba
meu pé de poesia
é o estrume do boi
marcado a fogo
que rumina versos
contra o opressor
É o bagaço da cana
moída no engenho de ferro
que traz no gosto da rapadura
o amargor de vigas
também moídas
São as toras dos babaçuais
estendidas ao chão
pelo machado da ganância
que devasta não apenas florestas
derruba Chicos, Josimos
Margaridas...
O que fez brotar e alimenta
meu pé de poesia
é a certeza que esses
versos em flor
romperão cercas
fecundarão roçados
e saciarão barrigudas
famintas de
justiça
terra e
pão