Poesia declamada na Semana da Engenharia Ambiental (outubro-2008)em intervenção cênica do grupo Teatro Descalço
Não é mais suficiente que cada um faça sua parte
“É tempo de partido,
Tempo de homens partidos”
Partidos políticos
Corpos partidos
O importante é participar
Não é suficiente.
A parte não é o todo
Fomos desmembrados em pedaços
Desde as revoluções que decapitaram reis
Separaram as urgências do homem em três:
"liberdade, igualdade e fraternidade"
Mas a liberdade tem limites
A igualdade é impossível
A fraternidade é vermelha
A parte não é o todo.
Desde as revoluções culturais
Queimam-se livros e bandeiras
Queimam-se índios em praça pública
Um menino se coloca diante de um tanque de guerra
com uma pedra, ou uma bandeira branca nas mãos
Não é suficiente.
"O sonho acabou"
Não há terras para todos
A semente que alimenta, germina e cura
é patenteada
Paz e amor para quem?
Se não há comida para todos
que não haja paz para ninguém
"Ocupar, resistir, produzir"
Será suficiente?
Separaram as urgências do homem
em várias bandeiras e causas para abraçar
Para que cada um faça sua parte
Mas a parte não é o todo
Não é suficiente.
O todo germina das mãos dadas
Dos corpos e intenções multiplicados
Da soma
Pois é tempo de urgência para
homens, mulheres e, especialmente para crianças
Aquelas que ainda virão
e aquelas que, inevitavelmente,
crescerão.